
CAP-UPFR na Gazeta!
dezembro 6, 2010Antônio More/ Gazeta do Povo
Papel e mais papel: Mariah Daher, estudante de Psicologia da UFPR, gasta até R$ 80 reais por mês com fotocópias
Leitura
O xerox nosso de cada aula
É muito comum observar os universitários com pastas cheias de fotocópias de textos de diferentes disciplinas. A carga de leitura dos cursos é grande e o xerox acumulado deixa os alunos entulhados de papéis que acabam inutilizados
06/12/2010 | 00:08 | Bruna Bill, especial para a Gazeta do Povo
Alguns professores organizam uma pasta com todos os textos que vão utilizar na disciplina durante o semestre, e os alunos podem fazer as cópias de uma só vez. Outros preferem liberar o material aos poucos, fazendo com que os estudantes frequentem quase diariamente as empresas de fotocópias. “Tem professor que separa o que é material obrigatório para as aulas e os textos complementares, assim não precisamos tirar cópia de tudo. Muitas vezes o que ele explica em sala de aula acaba sendo mais proveitoso”, conta Mariah Daher, 20 anos, aluna do terceiro ano do curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Alternativas
Estudantes criam alternativas à fotocópia
Para tentar frear o desperdício de papel e dinheiro, os alunos do Centro Acadêmico de Psicologia da UFPR criaram uma estante em que pilhas de materiais fotocopiados, separados por áreas, ficam à disposição dos alunos para consultas e empréstimos. “Em vez de buscar artigos na internet, procurei aqui na estante e achei muita coisa boa para complementar minhas pesquisas”, afirma Mariah Daher, do terceiro ano.
No Centro Acadêmico de Letras também existe um arquivo para facilitar a vida dos estudantes que não querem tirar mais cópias. “Já emprestei vários textos e não precisei gastar dinheiro. É importante diminuir a quantidade de papel que usamos. Também é legal ter um destino para os textos que não seja o lixo”, avalia Giovana Lucchin.
Segundo Aline Alegre, também do curso de Letras, alguns professores começaram a se preocupar mais com a questão do xerox e hoje oferecem arquivos digitalizados e enviam o material para o e-mail dos alunos. “Isso facilita nossa vida. Imprime quem quiser e não precisamos acumular papéis”, explica.
Quando são exigidos muitos capítulos do mesmo livro ou o assunto tem um interesse maior para o universitário, a compra da obra pode ser a melhor opção. Mesmo assim, o preço da fotocópia ainda atrai os estudantes. Além de mais caros, muitas vezes os livros são difíceis de serem encontrados. “Eu gostaria de ler mais livros, mas infelizmente não é possível, alguns são antigos e muito caros”, conta Giovana Lucchin, 21 anos, estudante do primeiro ano do curso de Letras da UFPR.
Para o professor da UFPR Gelson João Tesser, que dá aulas de Teoria e Fundamentos da Educação, a cultura da fotocópia diminui a preocupação das universidades com a compra de livros. “As universidades têm espaço para as empresas de xerox, mas não têm livros suficientes para os alunos. Isso é prejudicial para a vida acadêmica”, afirma. A cópia integral das obras, mesmo proibida pela Lei do Direito Autoral, acaba sendo muito frequente entre os universitários que não conseguem comprar ou emprestar os livros originais. “Na disciplina de Literatura Clássica precisávamos ler uma obra rara que me custaria R$ 100, enquanto o xerox do livro inteiro saiu por R$ 15”, conta Aline Alegre, colega de Giovanna no curso de Letras.
Mesmo sendo mais baratas que os livros, porém, as fotocópias vão se acumulando ao longo das semanas e dos semestres, o que no final também sai caro. Por isso, é importante separar um dinheiro extra para essa finalidade. “Depende muito do professor e da disciplina. Eu tenho nove disciplinas e a quantidade de textos é bastante grande”, conta Mariah, que, num cálculo aproximado, estima gastar até R$ 80 reais por mês com xerox.