O Centro Acadêmico de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (CAP UFPR) vem a público demonstrar seu repúdio à forma com que a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) e o Governo do Estado de São Paulo vêm enfrentando as manifestações de estudantes, técnicos e professores que ocorrem nesta Universidade há mais de um mês. Causa-nos espanto que a USP, instituição respeitada e reconhecida por sua vastíssima produção e extensão de conhecimento científico, promotora de significativas mudanças na sociedade através dos seus serviços prestados, dessa vez nos promova um triste espetáculo de despreparo administrativo e falta de diálogo num processo de debate político desigual e pouquíssimo democrático, solicitando intervenção da Polícia Militar de São Paulo, que desde 1º de junho está prostrada na Universidade. Reconhecemos a greve dos trabalhadores como um instrumento político legítimo, que integra um processo político democrático, assegurado pela Constituição Federal: as liberdades de consciência e de expressão sem quaisquer espécies de censura ou discriminação. Entendemos que a greve a as posteriores manifestações são instrumentos de pressão da classe trabalhadora fazer-se ouvida, numa dinâmica (que infelizmente vemos reproduzida na USP) de negação da participação da comunidade acadêmica nas decisões administrativas que mais lhe dizem respeito: aquelas que deferem sobre sua própria vivência na Universidade. Acreditamos que as decisões democráticas devem atentar às vozes de mais de cinco mil pessoas que já se manifestaram (e vêm se manifestando desde então).
Declaramos que somos contra a infeliz intervenção da Polícia Militar que re-visitou o campus da Cidade Universitária, após trinta anos. Repudiamos as ações truculentas e opressoras da polícia que se utilizou de instrumentos bárbaros para reproduzir a lógica repressiva aos movimentos sociais que contestam o Estado e suas políticas de governo, especialmente às de educação.
Prestamos nossa completa solidariedade a todos os estudantes, professores e técnicos que bravamente lutam contra medidas administrativas impositivas e antidemocráticas da Reitoria USP e da gestão Suely Vilela. Estamos todos juntos na luta para que a comunidade acadêmica possa ser ouvida e não privada de sua participação efetiva em suas próprias Universidades. Esperamos que logo se cesse o show de horror que tem sido a intervenção da PM na USP, a mandado dessa Reitoria. Que a Universidade preste-se a valorizar a voz de quem a sustenta e não a encobrir com ameaças e punições administrativas.
Aos lutadores, nosso apoio e a certeza de que amanhã, seremos mais.
Centro Acadêmico de Psicologia – Universidade Federal do Paraná
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